A nossa geração, assim como a geração de nossos filhos tem o privilégio de ter acesso a muita informação. O conhecimento encontra-se disponibilizado em várias matrizes. Todavia, a nossa geração, bem como a geração de nossos descendentes, precisa ainda ouvir coisas óbvias do tipo: foi necessário que o Filho eterno de Deus se encarnasse, obedecesse ativamente e passivamente a lei de Deus, padecesse os horrores da crucificação, enfrentasse a ira santa do Pai, morresse na cruz do calvário, fosse sepultado, mas também ressuscitasse ao terceiro dia, para assegurar definitivamente a nossa redenção eterna.   O pecado inseriu-nos numa relação de inimizade contra o Senhor. Desde que o pecado entrou no mundo que o ser humano encontra-se numa franca rebelião contra o Senhor Deus. O pecado é a parede erigida que impede o homem de manter comunhão com o seu Criador. Mas, aquilo que parecia insolúvel por parte do homem, o Senhor Deus tomou a decisão de fazer. Só o Criador poderia demolir a parede da inimizade. Só Ele poderia colocar uma ponte para nos assegurar o livre acesso à sua presença. Então, o Senhor tomou a iniciativa de resolver aquilo que não poderíamos fazer, enviando-nos o seu Filho bendito para nos livrar da perdição eterna. A solução passa pela gloriosa promessa do nascimento do filho da mulher. A promessa que consta no Gênesis 3. 15, a qual chamamos de protoevangelho. Da mulher haveria de nascer aquele que esmagaria a cabeça da serpente. Aquele que seria o nosso salvador eterno. Por isso, perguntamos: o que Deus teve que fazer? Quero aqui repartir com você alguns pontos que envolve a nossa salvação. O que foi necessário? Em primeiro lugar, foi necessário que o Filho Eterno de Deus se encanasse (Jo 1. 14). “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Foi necessário que o Filho de Deus se tornasse gente de carne e osso. Ele se fez homem, porque se tornou gente, e porque se fez um de nós: teve fome, sentiu sede, ficou cansado e foi tentado. Foi necessário que o Filho de Deus se identificasse conosco não apenas em aparecia, mas que assumisse a nossa estrutura. Em segundo lugar, foi necessário que o Filho Eterno de Deus obedecesse (Mt 5. 17). Certa feita ele mesmo disse: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim revogar, vim para cumprir”. Noutro lugar afirma: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e a realizar a sua obra” (Jo 4. 34).  A sua obediência foi ativa e foi também passiva. A submissão de Jesus a lei de Deus é importante tanto quanto a sua encarnação. Ele empenhou-se para obedecer, mas também esteve sob a reivindicação da lei de modo passivo.   Portanto, o nosso representante legal deveria obedecer. Sua obediência haveria de conduzi-lo à cruz. A linguagem bíblica sobre tal assertiva afirma: “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2. 8). Era indispensável obedecer. Foi necessário obedecer, pois caso contrário estaríamos todos ainda perdido, se o Filho de Deus não tivesse obedecido em nosso lugar.  Em terceiro lugar, foi necessário que o Filho eterno de Deus padecesse (Lc 24. 26). “Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?”. A Escritura fala do padecimento do Senhor Jesus como sendo parte essencial da nossa redenção. Durante a pregação apostólica, cuja mensagem envolvia também o padecer do Filho de Deus, a proclamação enfatizava também que o padecimento era o cumprimento daquilo que foi predito pelos profetas. Diziam: “mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas: que o seu Cristo havia de padecer” (At 3. 18). O Senhor Jesus teve que padecer em nosso lugar    O que envolve o padecer do Senhor Jesus? Como foi o seu padecimento? O credo apostólico diz que o Filho de Deus “[...] padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos [...]”. Mas, o que significa isso? Envolve a sua humilhação, crucificação e morte. Significa que o Filho eterno de Deus teve que enfrentar a fúria da ira divina, porque, só assim haveria de encravar na cruz do calvário o nosso escrito de dívida (Cl 2. 14). Concluímos salientando que a entrada do pecado no mundo foi devastadora. Foi uma tragédia sem igual. Foi tão devastadora que quebrou a nossa relação com o nosso Criador, afetou a nossa relação com o nosso semelhante e prejudicou a nossa relação com a criação inteira. Foi uma tragédia tão avassaladora que o caminho da fuga foi trilhado, o medo de nosso Criador passou a fazer parte de nossa experiência e o fardo pesado da culpa esmagou a nossa existência. De sorte que, por isso mesmo, foi necessário que o Senhor Jesus se encarnasse, obedecesse e padecesse, pois só assim haveria de cravar na cruz do calvário a nossa dívida. Logo, a sua crucificação assegurou-nos definitivamente a quitação da nossa conta. Não tínhamos em hipótese alguma condição de resolver a nossa pendência com o Senhor. Nossa dívida não era diferente do credor da parábola (Mt 18. 23-25). Devíamos dez mil talentos. Era impossível efetuar o pagamento. Porém, uma vez que o Filho unigênito de Deus assumiu o nosso lugar, o Senhor Deus perdoou toda a nossa dívida. Aleluia!   

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