“Ninguém pode servir a dois senhores...” (Mt.6.24) Aquilo que controla o nosso coração e que é evidenciado pelo tipo de tesouro que buscamos, sejam eles celestes ou terrenos, denunciam a quem servimos. Jesus no texto supracitado personifica a pessoa ou objeto de adoração, Deus ou as riquezas. A razão apresentada por Jesus para a impossibilidade da adoração de ambos é que o coração do adorador fica dividido, e nessa divisão, um é amado e o outro desprezado. O primeiro mandamento expõe que o coração dividido é inconcebível para Deus: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx.20.3). Quando colocamos as riquezas à frente de Deus, ela será a única coisa observada, ela será o guia do coração e todas as coisas que aparentemente ela oferece. Não será possível enxergar a Deus e nem mesmo ao próximo, porque o que será obedecido são as regras do dinheiro. Por isso Paulo afirma que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm.6.10). O texto não está dizendo que é pecado ter riquezas e posses, pelo contrário, quando amamos o Senhor verdadeiramente, usamos aquilo com o qual ele nos tem abençoado para cumprir o chamado que temos de servir uns aos outros. Em Lc.8.1-3 encontramos mulheres que assistiam a Jesus com seus bens. Em At.4.36,37 vemos Barnabé que liberalmente vendeu um campo e depositou o dinheiro aos pés dos apóstolos para auxiliar os irmãos que tinham necessidade. No entanto, logo após o ato abnegado de Barnabé vemos um exemplo de dois corações guiados pelo dinheiro e a ganância, Ananias e Safira que também venderam um campo, mas não entregaram tudo e foram repreendidos e mortos como juízo do Senhor. Avareza é, segundo as Escrituras, idolatria. Não é só ao dinheiro que podemos aplicar a questão da idolatria, mas a qualquer outra coisa ou pessoa que colocamos a frente de Deus. Qualquer que seja o ídolo, o resultado final será o mesmo, um coração frustrado e decepcionado por promessas de consolo, alegria e segurança, que foram buscadas em outro lugar que não na pessoa de Jesus Cristo. Infelizmente, nas igrejas temos visto a influência do materialismo e do consumismo. Quanto mais o tempo passa a impressão que se tem é que a fidelidade nos dízimos e ofertas está diminuindo e isso é um problema do coração. Um coração apegado as coisas deste mundo darão sempre desculpas para não servir a obra de Deus com seus dons e com seus bens. Tudo isso porque esquecemos que daquilo que recebemos não é somente os 10 por cento que entregamos que glorifica a Deus, mas os 90 por cento que fica sob nossa administração também deve servir de glorificação a Deus. O texto de I Co.10.31 é muito claro quando diz que em coisas comuns do cotidiano como comer e beber ou em qualquer outra coisa devemos fazer para a glória de Deus, isso inclui o uso do dinheiro. Um versículo que é muito recitado, cantado, decorado e até mesmo pregado, mas que cada vez mais não tem sido vivenciado por muitos que se dizem crentes é: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt.6.33). “Estas coisas” que Jesus diz está ligado às necessidades observadas nos versículos anteriores, ou seja, Deus é nossa suficiência. Entretanto, quando não acreditamos nisso, começa o festival do “MAS”. Mas eu tenho as minhas contas, mas 10 por cento é muito, mas é que tive um imprevisto esse mês, mas é que eu não sei como esse dinheiro é administrado. Desculpas que só revelam quanto o coração está apegado ao dinheiro. Se este verso acima fosse, de coração, vivido por todos os crentes, muitos deixariam de tentar usar a Deus e servir ao dinheiro e, adoraria a Deus, usando os recursos que ele nos dá para administrar. Que o Senhor nos dê sabedoria e nos abençoe! Rev. Robson Luiz Silva dos Reis

Compartilhe usando: