Certas situações fomentam no coração humano certas perguntas. Elas surgem de modo imediato. E, se a situação for grave, logo, logo a pergunta brota como um grito da alma. Por que Senhor? Por que o Senhor permitiu que isso acontecesse? Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? Por que o justo sofre? Por que pessoas santas, que amam a Deus, são apanhadas por tragédias terríveis e enfrentam turbulências gigantescas? Por que gente que decide andar com o Senhor enfrenta situações tão difíceis a ponto de perder a própria vida? Por que circunstancialmente a maldade triunfa sobre o bem? Será que existe um propósito maior por detrás da tragédia? O pregador ungido, o diácono Estevão, foi arrastado pelos seus acusadores para depor perante o tribunal religioso mais temido da terra. A Escritura revela que Estevão era um homem de fé, cheio do Espírito Santo, ousado e cheio de sabedoria. Sua postura de fé era coerente e sua abordagem respeitosa, mas, mesmo assim, não foi poupado da morte. Estevão foi arrastado e apedrejado de modo cruel até a morte. Talvez tenha sofrido fraturas expostas. Por certo o seu corpo estava repleto de hematomas e cicatrizes. O sangue escorria em sua face. Por certo sua morte foi resultante de hemorragia interna. Com isso, Estevão sucumbiu diante de seus algozes. Estevão era um pregador ímpar, foi um homem diferenciado na história da igreja primitiva. Entretanto, esse santo homem não foi poupado do sofrimento e morte. Sabemos que gente crente não é poupada de sofrimento nessa vida. A pergunta que não quer calar é a seguinte: existe algum propósito nisso? Sim, existe! Mesmo diante de situações trágicas, o Senhor tem sempre um propósito glorioso. Embora tantas vezes pareça que o reino de Deus esteja perdendo, pareça que o prejuízo é irreparável. Todavia, o reino de Deus jamais sai perdendo. Ele nunca perde, porque existe uma mão soberana por trás da cortina. Existe uma mão invisível que estar conduzindo as coisas para que algo maior aconteça. Portanto, nosso Deus jamais sai perdendo, ainda que santos tenham que morrer. A morte de Estevão produziu três resultados. Dois ficaram dentro das cercanias de Jerusalém, o terceiro ultrapassou as fronteiras da capital de Israel. Com a morte de Estevão a missão saiu de Jerusalém para o mundo, a evangelização venceu as fronteiras judaicas para atingir outras cidades, outros territórios geográficos, outros vilarejos, para alcançar outras pessoas. Antes de Jesus Cristo ser assunto aos céus, já havia dito qual era a missão da igreja (At 1: 8), mas até o presente momento, a missão estava confinada dentro dos muros de Jerusalém. Agora, porém, com a morte de Estevão, a igreja será obrigada a sair para cumprir a sua missão. São três resultados, mas hoje vamos partilhar apenas o primeiro, a saber: **1) Desencadeou uma grande perseguição (At 8: 1, 3).** A violência praticada contra Estevão foi a primeira ação sangrenta que culminou com a sua morte. Veja o que afirma a Escritura: “E Saulo consentia na sua morte. Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria. Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” (At 8: 1, 3). Preste atenção! Quando um ato de violência acontece ele acaba destrancando a porta para desencadear outros atos de violência. Até aquele momento a igreja havia sido perseguida, apóstolos foram presos e ameaçados, mas ainda não havia tido nenhuma morte por conta do evangelho. Todavia, com a morte de Estevão levantou-se grande perseguição à igreja em Jerusalém. Com o acontecido, porém, o evangelho venceu os muros da cidade Jerusalém e avançou para o mundo. Deus sempre alcança seus propósitos. Ele nunca deixa o seu plano emperrar, ainda que situações complexas tenham que acontecer. A perseguição foi grande pelas seguintes razões: primeiro, por causa do seu alcance. Todos os cristãos foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria. E, portanto, iam por toda a parte pregando a palavra de Deus e anunciado a Cristo. Já havia muito tempo que o Espírito Santo tinha sido derramado sobre a igreja. Ela tinha sido habilitada para cumprir a missão de pregar o evangelho. Porém, havia se acomodado. Foi preciso que um homem de Deus tombasse para que, a partir da perseguição, a igreja realizasse a sua tarefa. A violência fez com que a igreja de Deus fosse dispersada, pois só assim o evangelho seria anunciado e os eleitos alcançados. Segundo, por causa da atrocidade praticada. A perseguição foi grande pelo modo violento como foi feita. Muitos morreram por casa do evangelho. Paulo, talvez o principal algoz da igreja, testemunha sobre a crueldade praticada (At 22. 4, 19, 20; 26. 9-11; 1Co 15. 9; Gl 1. 13; Fl 3. 6; 1Tm 1. 13). Ele mesmo diz que torturava e matava, prendia homens e mulheres. Paulo, sem dúvida alguma, foi o perseguidor número um da igreja primitiva. Terceiro, por causa da diversidade. Essa perseguição era grande porque tinha como alvo homens e mulheres. Na verdade, todos aqueles que professavam a fé em Jesus Cristo eram perseguidos. A Escritura mostra que não era uma situação confortável. A perseguição foi deveras grande. Todavia, o evangelho fosse disseminado a todas as nações, o propósito foi atingido. A igreja precisa entender que pregar o evangelho não é responsabilidade exclusiva do pastor. É tarefa do pastor também, mas também é responsabilidade de todo cristão. O que estamos esperando para pregar o evangelho? Estamos esperando uma tragédia para sairmos desse coma espiritual? Os cristãos não podem mais ficar no anonimato, conformados com a situação confortável que estão vivendo. Temos que ser diligentes em levar a mensagem do evangelho a outros. Hoje vivemos em um tempo no qual há muitos "teólogos" dentro da igreja, mas não contam as boas novas de Jesus nem para o seu vizinho ou seus familiares. É preciso que toda a igreja esteja engajada na missão de levar o evangelho a todas as pessoas. Entenda uma coisa de uma vez por todas: a perseguição não pode calar a igreja, pelo contrário, a história dá conta que a perseguição sempre foi um instrumento para fazer com que a igreja cumprisse a sua missão. A perseguição é como um vento que faz com que a semente do evangelho seja espalhada. Chegou o momento de a igreja sair de seu comodismo, sair do coma espiritual para cumprir os propósitos de Deus. Meu amado irmão e irmã, só há uma coisa que pode impedir a igreja de cumprir a missão: o pecado. Sabe por quê? Porque o pecado mata a alegria da salvação. O crente salvo, mas sem a alegria da salvação, não será impulsionado a anunciar ou proclamar a gloriosa mensagem do evangelho. Um caso que nos ajuda a entender o que aqui pontuamos é o testemunho do rei Davi. Davi, em sua oração de quebrantamento e confissão conta que o pecado matou a sua alegria da salvação. Ele não perdeu a salvação, mas perdeu a alegria. O pecado sufoca a alegria, e uma pessoa sem alegria fica estagnada. Ouça e leia o seu testemunho: “Restitui-me alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário. Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti” (Sl 51. 12, 13). Portanto, pecado escondido “mata” a alegria da salvação. Com isso, o crente fica atrofiado espiritualmente. Por outro lado, quando o crente tem a alegria da salvação, por saber que o seu pecado foi perdoado e o céu é a sua morada, naturalmente será impulsionado a pregar o evangelho. Ei, crente! Acerte a sua vida com o Senhor. Peça perdão pelos seus pecados ocultos e escondidos. Peça ao Senhor para lhe devolver a alegria da salvação! Não espere que algo trágico aconteça para que você anuncie o evangelho. Faça por obediência e alegria. Coloque como propósito evangelizar pelo menos uma pessoa essa semana. Não perca tempo. Por hoje é só! Semana que vem partilharemos os outros dois resultados. Povo amado de Deus, semana passada iniciamos uma abordagem que destaca os resultados produzidos pela morte de Estevão. Tivemos a oportunidade de olharmos o primeiro resultado, a saber, a grande perseguição. A morte do primeiro mártir da história da igreja primitiva fez com que desencadeasse uma perseguição. Todavia, a perseguição foi como um vento que leva a semente para outros lugares. A perseguição fez com que o evangelho saísse de Jerusalém para alcançar outros territórios. Hoje, pela graça e com a graça de Deus vamos falar de outros dois resultados. A morte de Estevão gerou um grande pranto e também produziu uma grande alegria. **2) Gerou um grande pranto (At 8: 2).** Veja o que afirma a Escritura: “Alguns homens piedosos sepultaram Estevão e fizeram grande pranto sobre ele”. Não foi um pranto, foi grande pranto. Não sabemos ao certo se esses irmãos piedosos eram irmãos convertidos vindo do judaísmo. Talvez fossem apenas judeus que tivessem estima por Estevão. O certo é que a Escritura mostra que um ato de bondade foi realizado para com aquele que havia tombado por causa de seu testemunho. O ponto aqui é que a injustiça praticada gerou comoção, os homens que sepultaram Estevão choram muito. Foi um choro que provocou soluços. Amados irmãos e irmãs, quando homens santos e justos que influenciam a sociedade de modo marcante e positivo morrem, pessoas que reconhecem o seu real valor choram e se lamentam. A morte de Estevão gerou um grande pranto nas ruas de Jerusalém. Para refletirmos: se morrermos hoje, será que pessoas além de nossos familiares chorariam? O modo como vivemos ressalta que a sociedade “perderia” com a nossa morte? Estevão morreu. Sua morte gerou grande pranto. Ele era um santo homem de Deus que fora vitimado pela crueldade de homens ímpios. Mas além disso, a morte de Estevão fez com outro resultado indireto fosse produzido, então vamos aos terceiro resultado. **3) Produziu grande alegria (At 8: 8).** A presença do evangelho na cidade de Samaria foi impactante. Foi uma pregação marcada pelo poder de Deus. Milagres foram realizados, pessoas foram libertas das garras do diabo, e sobretudo, os corações foram transformados pelo evangelho de Jesus Cristo. O evangelista Filipe anunciou a Cristo. Sua mensagem tinha como cerne a pessoa e obra do Senhor Jesus. Ele não tinha outra coisa para anunciar, pois reconhecia que só o Senhor Jesus, aquele que foi crucificado, morreu e foi sepultado, mas, que ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos, poderia salvar o pecador. Só aquele que vive pode salvar o perdido. Com isso, “as multidões atendiam unânimes as coisas que Filipe dizia” (At 8: 6). As multidões ouviam e viam. A pregação de Filipe alcançava os ouvidos e os olhos. Eram algo deveras impactante, fruto do poder do Espírito Santo. Com isso, “houve grande alegria naquela cidade” (At 8: 8). Preste atenção! Antes de Filipe chegar ali naquela cidade, o aspecto de Samaria era completamente diferente. Era uma cidade oprimida pelas trevas. Você já esteve em alguma cidade que tinha um aspecto sombrio, escuro, uma atmosfera carregada onde as pessoas estavam tristes, com o semblante abatido? Uma cidade assim, com uma descrição tal qual aqui destacada, por certo revela a presença de um reino que não é o reino de Deus. Sabe por quê? Porque o reino de Deus é um reino de luz, um reino de paz, um reino de alegria e gozo. As pessoas que viviam na cidade de Samaria eram doentes, oprimidas, escravizadas pelo diabo, mas agora estavam na rota da dinâmica transformadora do reino do Senhor Jesus, pois lá tinha um povo eleito que haveria de ser alcançado pelo poder do evangelho. A perseguição havia feito com que a igreja fosse “espalhada” por outras regiões, dentre as quais a cidade de Samaria. O evangelista Filipe também foi conduzido por esse "vento da perseguição" e se dirigiu para Samaria. Lá, onde havia um reino de trevas, pessoas tristes e sem esperança, pessoas doentes e fadadas a perdição eterna, todavia, com a chegada de Filipe, também chegou a boa nova de salvação, também chegou a mensagem que produziu grande alegria. Que fique claro, Filipe não foi para Samaria falar de uma nova religião ou de novas normas que ele havia incorporado em sua vida. Ele foi para anunciar a Jesus! Foi falar de um Deus grande, cujo céu dos céus não podia contê-Lo e mesmo assim decidiu visitar os homens pecadores aqui na terra. Se por um lado a perseguição veio para homens e mulheres, por outro, a salvação também veio para homens e mulheres, indistintamente. Louvado seja o Senhor Deus! Vemos, além disso, o contraste de reinos na cidade de Samaria. O reino de Deus impactou aquela cidade. O reino eterno havia chegado, e a sua chegada destronou o império de satanás. Era o reino de Deus encurralando e dissipando o reino das trevas. A mensagem proclamada por Filipe resultou em salvação e libertação. A mensagem do evangelho produziu muitos efeitos, dentre os quais damos destaque à grande alegria. O que é alegria? É algo bom? E o que é grande alegria? Se alegria é um sentimento bom, imaginemos o que é a grande alegria! Você se lembra quando o evangelho alcançou o seu coração? Lembra do sentimento de grande alegria? O evangelho traz não só o perdão de Deus, o que já é algo extraordinário e necessário para que experimentemos grande alegria, mas, além disso, o evangelho cura as feridas nos nossos corações, muda o semblante de nosso rosto e produz grande alegria em nosso coração. Verdadeiramente temos aqui (At 8: 4-13) um contraste de reinos ali em Samaria existia um homem chamado Simão. Simão era um feiticeiro que iludia o povo de Samaria e todos lhe davam ouvidos. Ele era súdito do reino de satanás. Era um portador da mentira e do engano. Todavia, a verdade chegou. Por isso mesmo, a mentira não pôde resistir a presença da verdade, as trevas tiveram que dar lugar à luz. A verdade que Filipe levou aquela cidade é a verdade absoluta do reino de Deus. A verdade de um reino que traz libertação para as pessoas, esclarecimento quanto a vida e ao plano de Deus. O reino de trevas foi derrotado, porque o reino de luz chegou, e com ele chegou também a vida, a cura, a libertação e a alegria, "a grande alegria!" Glória a Deus! Precisamos concluir. Você pode ter certeza, cidades que ainda não ouviram o evangelho estão debaixo do governo de um reino. Isso é inegável. Quando o evangelho é anunciado as coisas ficam ainda mais claras, porque aquele que era oprimido é liberto, aquele que era enganado é esclarecido, aquele que estava debaixo de densas trevas recebe a claridade da luz bendita de Jesus. Precisamos orar e pedir que venha o reino de Deus, mas também precisamos andar e proclamar o evangelho do reino de Deus, pois é assim que o reino de Deus se estabelece. Há muitos que ainda estão debaixo de outro reino, que andam tristes e aprisionados. Todavia, a medida que a igreja cumpre a sua missão, as pessoas são salvas e recebem uma grande alegria. Coloque uma coisa em seu coração: a mensagem do evangelho não oferece às pessoas o que elas querem, mas sim o que precisam. As pessoas precisam de Jesus Cristo, precisam de perdão para serem reconciliadas com o Rei da Glória. A mensagem do evangelho chama as pessoas para um compromisso com o Senhor Jesus (essas pessoas eram batizadas - recebiam o selo do pacto, o sinal da aliança). Desafio você a tomar uma decisão. Tenha coragem de evangelizar. Você foi salvo para morar no céu, mas enquanto reside aqui, você deve pregar o evangelho, você deve assumir que é uma testemunha de Cristo. Então, tenha coragem de assumir o seguinte propósito: “eu vou falar de jesus Cristo para uma pessoa essa semana!” Que Deus te dê intrepidez para falar de Jesus pelo menos para uma pessoa nessa próxima semana. Que Deus nos ajude! Não esperemos que algo trágico tenha que acontecer para anunciarmos o evangelho. A igreja foi perseguida e teve que sair de Jerusalém, mas ao sair levou o evangelho para Samaria, o que acabou produzindo uma GRANDE ALEGRIA. Rev. Fabio Henrique de Jesus Caetano

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