A Graça da Fé Salvadora
A temática fé é um assunto que pode ser encontrado numa conversa de família, numa interação de amigos e numa relação que se desenrola na sociedade. O assunto é controverso, mas ao mesmo tempo, empolgante. A discussão pode seguir tanto para o campo da concordância como da discordância. Pode enveredar para um caminho lato como para uma vereda estreita. Pode ser genérica como específica, pode ser geral quanto particular. Nossa abordagem aqui, no entanto, terá um foco estrito, e para ser mais específico ainda, queremos deixar claro que vamos falar da fé salvadora, a fé cristã, a qual é revelada na Sagrada Escritura. Vamos destacar algumas verdades da fé salvadora. Em primeiro lugar, a fé salvadora é uma dádiva divina. Ninguém nasce com capacidade nem com vontade para crer salvadoramente em Cristo. A fé salvadora não é uma herança genética nem uma transferência religiosa. Agostinho de Hipona, também conhecido como santo Agostinho, disse que o querer-crer é um dom puramente da graça de Deus. Afirma ainda que “não se deve à interação pessoal do sujeito o mérito do início da fé” salvadora. A vontade de crer é um dom de Deus. E, então diz: “(...)se a vontade de crer procedesse da natureza humana, deveria existir em todos, pois é o mesmo Criador de todos”. A Escritura não deixa dúvida quanto o ponto aqui destacado. Ela diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). Note, portanto, que a fé salvadora é um presente gracioso de Deus. Em segundo lugar, a fé salvadora é uma capacitação divina. Se, por um lado, podemos afirmar categoricamente que a palavra de Deus ensina que a fé salvífica é um dom da graça. Por outro lado, também podemos afirmar que a fé é capacitação divina por intermédio da qual o Senhor habilita o homem a crer em Cristo como seu salvador e Senhor, assim como na sua obra realizada na cruz de uma vez por todas para a nossa salvação. O homem é habilitado a confiar em Cristo para a salvação quando é regenerado. Quando não conseguíamos compreender, “Deus no-lo revelou pelo Espírito” (1Co 2. 10). Uma vez regenerado pela obra do Espírito e mediante a pregação da palavra fiel, o homem é despojado de sua autoconfiança e levado a crer no Senhor Jesus para a salvação. Digamos que a semente da fé é plantada no coração pela pregação e nascida pela ação regeneradora do Espírito Santo. Assim está escrito: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Deus” (Rm 10. 17). O Senhor tanto é aquele que doa a fé salvadora quanto o que capacita o homem para exercitar a fé salvadora. Em terceiro lugar, a fé salvadora é uma exigência divina. Uma vez que ao homem é doada a fé, uma vez que o homem é capitado a crer, então o homem escolhido estará apto a evidenciar a sua fé. Quando escutar o imperativo da mensagem apostólica: “Crer no Senhor Jesus e serás salvo” (At 16. 31), imediatamente comprovará aquilo que já recebeu. A doação e a capacitação são divinas, mas o ato de crer é do homem. O exercício da fé é uma ação nossa, mas só pode acontecer enquanto instrumento de apropriação da oferta da graça se o coração foi regenerado ou transformado. A ação da fé é a mais pura e visível evidência de que o homem nasceu de novo por obra soberana e graciosa do Espírito Santo, de modo que o mesmo Deus que concede a fé também é o mesmo que exige que o homem creia. Entenda uma coisa de uma vez por todas: a disposição para crer no Senhor Jesus como Salvador e em sua Palavra não é uma semente inata no coração humano, mas uma semente plantada, regada e germinada pela ação do Espírito Santo. Todos nós estaríamos perdidos se Deus não tivesse nos doado a fé salvadora. Todavia, aprouve ao Senhor nos presentear com a fé. Ele, além de doar a fé, também nos capacitou para crer de maneira que, pela fé em Cristo, somos salvos da ira vindoura, somos guardados até o dia da ressurreição, somos justificados e adotados na família Deus. O Deus que exige que os homens tenham fé também é o mesmo que doa graciosamente a fé. Louvamos a Deus por ter nos doado a fé. Graças ao Senhor pelo presente maravilhoso da graça da fé salvadora. Rev. Fabio Henrique de Jesus Caetano

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